A sea of leaves é
mais uma dessas bandas que aparecem discretamente, conquistando o
seu espaço sem escândalos envolvendo os integrantes ou
grandes jogadas de marketing. Desenvolvendo um projeto autoral, cuja
maior influência é a banda My Bloody Valentine,
Eduardo, Flávio, Thiago e Daniel mostram que o Brasil ainda
tem bandas bacanas de shoegaze.
É a típica banda que você descobre
sem querer, enquanto está perdido na imensa selva musical do
myspace. Mas é um excelente achado. Atmosfera etérea
e guitarras construindo e descontruindo as canções são
algumas das principais marcas da sonoridade dessa excelente banda
santista. Se você anda perdido no myspace, A sea of leaves pode
ser a sua bússola. Vale destacar a sustentação
harmônica e os timbres de guitarra na bela faixa Until we
meet again.
Atualmente, a banda prepara o material para o novo
disco e acerta os últimos detalhes para o tão esperado
début nos palcos.Durante uma pausa na gravação
do novo EP, o guitarrista/vocalista Eduardo Pereira nos concedeu a
entrevista que você confere a seguir.
AP: Explique essa história da formação
da banda ainda não ser a ideal. Já iniciaram o processo
de seleção para os outros músicos?
Eduardo: Recentemente, meu amigo, co-fundador e ex-guitarrista
Daniel Garcia da extinta Speed Whale, aceitou o convite
de tocar a segunda guitarra conosco. Como quarteto, podemos enriquecer
mais as músicas como temos idealizado. Com a segunda guitarra
sobra mais tempo pra brincar com os loops, tocar guitarra e continuar
fazendo os vocais. A idéia era arranjar um(a) vocalista, porém
descaracterizaria demais as músicas. Então o jeito é
enfrentar os fantasmas e tocar o barco.
AP: A sonoridade da banda deixa explícito
o desejo de criar uma atmosfera conduzida pelas guitarras, podemos
afirmar que MBV é a principal influencia da banda?
Eduardo: As guitarras, sem dúvida, têm
papel especial na nossa música. Posso afirmar que as texturas
de guitarra à la Kevin Shields do MBV estão
fortemente presentes na nossa música, mas os irmãos
Girão (Flávio e Thiago) acrescentam uma boa pitada de
Pixies, Pin back, Queens of the Stone Age, Joy Division
e New Order para a banda. A praia de Daniel não
é muito diferente da nossa. No final dá essa mistura
shoegaze, post punk e post rock. Só escutando mesmo.
AP: Ainda com pouquíssimo tempo de
banda e sem apresentações a banda vai conseguindo certa
notoriedade. Como é lidar com o paradoxo de uma banda que ainda
se julga incompleta receber críticas tão positivas?
Eduardo: Estamos surpresos e contentes de verdade.
Nada como fazer um som que te agrada acima de tudo e saber que tem
gente aí fora que está curtindo também. Isso
é “animal”! Talvez devíamos ter esperado
completar a formação que desejávamos antes de
começar a divulgar a banda. Não sei se isso está
criando uma imagem errada, mas a verdade é que não queríamos
deixar o material na gaveta e aí começamos a divulgar
e deu no que deu...
AP:Falando sobre o shoegaze, você acha
que ainda há espaço para as bandas desse estilo? A MBV
prometeu retorno aos discos neste ano....
Eduardo: A cena shoegazer nunca morreu no meu ponto
de vista. Possui um público fiel e que vem crescendo com os
anos graças a net e ótimas bandas seguidoras do estilo
como: Fleeting Joys, Amusement park is on
fire, This love is deadly, Lsd & the search for god, Serena Maneesh...
a lista é imensa. Não nos esqueçamos do Wry,
de Sorocaba, que está na Inglaterra alimentando a cena. Produto
nacional. A cena foi evoluindo e se agregando à outros estilos.
As bandas post-rock nos proporcionam ainda mais ênfase nas guitarras
e no ápice de sua obra orquestral estraçalham nossos
ouvidos com lindas melodias! Nunca me esqueço da primeira vez
que vi Godspeed you! black emperor. Eu simplesmente
me “auto resetei” naquele dia. Tenho certeza que Kevin
deve amar esses caras e outras do gênero como Explosions
in the sky, Mono, etc. No Brasil tem bandas boas como: DJ6,
Amps & Lina, Fire Friends, Verano, Os Telepatas, Monodecks, Labirinto,
Seychelles, etc... São bandas com um pé aqui
e ali no shoegaze e post rock que merecem reconhecimento na minha
opinião. Eu diria que existe espaço para bandas nesse
estilo aqui no Brasil, mas tem menos intensidade comparado com a cena
lá de fora.
Eu estou ansioso pelo próximo album do MBV. Acredito que será
uma variação de “Loveless” [considerado
por muitos o melhor disco do MBV] com algumas bizarrices típicas.
Mas só vendo para crer se o álbum realmente sai... o
jeito é esperar.
AP: Infelizmente, muitos caracterizam a cena
musical da cidade apenas com a banda Charlie Brown Jr. Como você
define a cena indie santista e quais bandas destacaria?
Eduardo: Pois é... Tem Charlie, tem samba
no pé, tem funkão quebradera, tem remelecheco
e rebolation... é... tem essas coisas...Cena indie...
humm...bem, punk e hardcore sempre foram a pedida por aqui. Passei
uns anos fora e não mudou muito desde que voltei. O Garage
Fuzz continua tendo destaque, existe o The Bombers,
Sweet cherry fury (que ganhou 3º lugar no next
big thing), uma banda de Guarujá chamada Radiola Santa
Rosa, que alias é bem legal (dub+trip hop+ambient)...mas
,para ser sincero, a cena indie aqui é muito modesta.
AP:Eduardo, você vem de uma importante
experiência de ter tocado em bandas canadenses no período
que esteve em Toronto. Qual o balanço desse período?
Eduardo: Em Toronto, eu participei de dois projetos:
Some died Young (indie+art rock+ ambient) e del
Fuego (post rock). Independente de estilos o nível
musical e profissional de lá é espetacular. As condições
oferecidas são tão boas que você até assusta
com tamanha organização.Aprendi muito e curti muito.
Acima de tudo, viver 8 anos no Canadá foi uma experiência
muito marcante, em todos os sentidos e que jamais esquecerei. Duas
coisas definem bem aquele lugar: a riqueza multicultural e as possibilidades.
AP: E O que essa experiência agregou
na sonoridade da A Sea of Leaves?
Eduardo: A sea of leaves é
o resultado de tentativas e erros com as minhas bandas anteriores.
(SW, SDY, del Fuego e Clube Osiris (Clube Osiris
foi uma parceria com o músico Marcelo Garcia
durante o ano de 2006, na qual gravamos 6 músicas cantadas
em português, rock alternativo e 70's). Eu acredito que trouxe
algo de lá comigo que é muito especial, mas sem explicação
e que afeta diretamente a minha maneira de ver e fazer música.
É algo que absorvi e manifesta-se naturalmente nas minhas composições.
Eu vejo muitas possibilidades para 'A sea of leaves'.
AP:Bem, mudando de assunto: sabemos q você
tem estreita relação com HQ´s, comente um pouco
sobre isso. Esse contato com os quadrinhos influencia na composição?
Eduardo: Sempre fui apreciador do universo HQ. Em
1996 abri uma loja em Santos chamada Invasores, era
especializada em quadrinhos nacionais e importados e souvenires. Não
vingou. Durou apenas dois anos e fechou as portas como todo negócio
em Santos que carece de gente que cultive um espaço por longa
data. Foi uma boa experiência na época, mas eu tinha
um grande projeto a ser cumprido e logo estaria zarpando para o Canadá.Quadrinhos
influenciam meu trabalho na música? Sim, mas sem doses excessivas.
O bem e o mal, céu e inferno, justiça... valore éticos
...conflitos e contrastes sociais... esses temas são muito
abordados nos comics e posso dizer que são diretrizes pra minha
vida. São temas que me inspiram...
AP:Recentemente foram feitas muitas adaptações
para o cinema, o que acha disso?
Eduardo: Eu acho Classe A. Tem clichê de kilo? Tem...
as vezes é infantil? É! Mas eu acho muito legal. Não
perco nenhum que sai. Iron man vai ser supimpa. Nem sou muito fã
da Marvel, mas o teaser com a música do Sabbath, matou a pau!
Estou esperando ansiosamente o próximo Batman, no que falar
Watchmen, putz! É filme que não acaba mais...Eu sei,
eu sei... eu sou um nerd.
AP: Finalizando essa entrevista, nós
já estamos no final do ano...o que vocês esperam para
2008? Podemos esperar um álbum “cheio” no próximo
ano?
Eduardo: Bem, a banda vai dar uma parada em dezembro
para as festas. Começaremos 2008 acertando as músicas
novas. Temos umas cinco músicas novas em andamento. Se tudo
der certo faremos nosso début aqui em Santos mesmo na Popscene
de Santos(Hector Lima e Flavia Durante) final de fevereiro
ou março. Queremos lançar um Ep até março
contendo algumas das músicas novas e do set anterior que pode
ser baixado na Trama Virtual, que serão regravadas.
Álbum mais pra frente... queremos tocar bastante em 2008, aparecer,
fazer contatos, conseguir um label... Vamos a todo vapor!
Informações:
A sea of leaves é:
Eduardo Pereira (voz e guitarra)
Daniel Fonseca (guitarra)
Flávio Girão (baixo)
Thiago Girão (bateria)
Ouça algumas músicas...
Visite o blog da banda
Contato: (13) 9108-0888
E-mail: aseaofleaves@gmail.com