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Eduardo Pereira, da banda A sea of leaves

Marcel Alan
16/12/2007

A sea of leaves é mais uma dessas bandas que aparecem discretamente, conquistando o seu espaço sem escândalos envolvendo os integrantes ou grandes jogadas de marketing. Desenvolvendo um projeto autoral, cuja maior influência é a banda My Bloody Valentine, Eduardo, Flávio, Thiago e Daniel mostram que o Brasil ainda tem bandas bacanas de shoegaze.

É a típica banda que você descobre sem querer, enquanto está perdido na imensa selva musical do myspace. Mas é um excelente achado. Atmosfera etérea e guitarras construindo e descontruindo as canções são algumas das principais marcas da sonoridade dessa excelente banda santista. Se você anda perdido no myspace, A sea of leaves pode ser a sua bússola. Vale destacar a sustentação harmônica e os timbres de guitarra na bela faixa Until we meet again.

Atualmente, a banda prepara o material para o novo disco e acerta os últimos detalhes para o tão esperado début nos palcos.Durante uma pausa na gravação do novo EP, o guitarrista/vocalista Eduardo Pereira nos concedeu a entrevista que você confere a seguir.


AP: Explique essa história da formação da banda ainda não ser a ideal. Já iniciaram o processo de seleção para os outros músicos?

Eduardo: Recentemente, meu amigo, co-fundador e ex-guitarrista Daniel Garcia da extinta Speed Whale, aceitou o convite de tocar a segunda guitarra conosco. Como quarteto, podemos enriquecer mais as músicas como temos idealizado. Com a segunda guitarra sobra mais tempo pra brincar com os loops, tocar guitarra e continuar fazendo os vocais. A idéia era arranjar um(a) vocalista, porém descaracterizaria demais as músicas. Então o jeito é enfrentar os fantasmas e tocar o barco.

AP: A sonoridade da banda deixa explícito o desejo de criar uma atmosfera conduzida pelas guitarras, podemos afirmar que MBV é a principal influencia da banda?

Eduardo: As guitarras, sem dúvida, têm papel especial na nossa música. Posso afirmar que as texturas de guitarra à la Kevin Shields do MBV estão fortemente presentes na nossa música, mas os irmãos Girão (Flávio e Thiago) acrescentam uma boa pitada de Pixies, Pin back, Queens of the Stone Age, Joy Division e New Order para a banda. A praia de Daniel não é muito diferente da nossa. No final dá essa mistura shoegaze, post punk e post rock. Só escutando mesmo.

AP: Ainda com pouquíssimo tempo de banda e sem apresentações a banda vai conseguindo certa notoriedade. Como é lidar com o paradoxo de uma banda que ainda se julga incompleta receber críticas tão positivas?

Eduardo: Estamos surpresos e contentes de verdade. Nada como fazer um som que te agrada acima de tudo e saber que tem gente aí fora que está curtindo também. Isso é “animal”! Talvez devíamos ter esperado completar a formação que desejávamos antes de começar a divulgar a banda. Não sei se isso está criando uma imagem errada, mas a verdade é que não queríamos deixar o material na gaveta e aí começamos a divulgar e deu no que deu...

AP:Falando sobre o shoegaze, você acha que ainda há espaço para as bandas desse estilo? A MBV prometeu retorno aos discos neste ano....

Eduardo: A cena shoegazer nunca morreu no meu ponto de vista. Possui um público fiel e que vem crescendo com os anos graças a net e ótimas bandas seguidoras do estilo como: Fleeting Joys, Amusement park is on fire, This love is deadly, Lsd & the search for god, Serena Maneesh... a lista é imensa. Não nos esqueçamos do Wry, de Sorocaba, que está na Inglaterra alimentando a cena. Produto nacional. A cena foi evoluindo e se agregando à outros estilos. As bandas post-rock nos proporcionam ainda mais ênfase nas guitarras e no ápice de sua obra orquestral estraçalham nossos ouvidos com lindas melodias! Nunca me esqueço da primeira vez que vi Godspeed you! black emperor. Eu simplesmente me “auto resetei” naquele dia. Tenho certeza que Kevin deve amar esses caras e outras do gênero como Explosions in the sky, Mono, etc. No Brasil tem bandas boas como: DJ6, Amps & Lina, Fire Friends, Verano, Os Telepatas, Monodecks, Labirinto, Seychelles, etc... São bandas com um pé aqui e ali no shoegaze e post rock que merecem reconhecimento na minha opinião. Eu diria que existe espaço para bandas nesse estilo aqui no Brasil, mas tem menos intensidade comparado com a cena lá de fora.
Eu estou ansioso pelo próximo album do MBV. Acredito que será uma variação de “Loveless” [considerado por muitos o melhor disco do MBV] com algumas bizarrices típicas. Mas só vendo para crer se o álbum realmente sai... o jeito é esperar.

AP: Infelizmente, muitos caracterizam a cena musical da cidade apenas com a banda Charlie Brown Jr. Como você define a cena indie santista e quais bandas destacaria?

Eduardo: Pois é... Tem Charlie, tem samba no pé, tem funkão quebradera, tem remelecheco e rebolation... é... tem essas coisas...Cena indie... humm...bem, punk e hardcore sempre foram a pedida por aqui. Passei uns anos fora e não mudou muito desde que voltei. O Garage Fuzz continua tendo destaque, existe o The Bombers, Sweet cherry fury (que ganhou 3º lugar no next big thing), uma banda de Guarujá chamada Radiola Santa Rosa, que alias é bem legal (dub+trip hop+ambient)...mas ,para ser sincero, a cena indie aqui é muito modesta.

AP:Eduardo, você vem de uma importante experiência de ter tocado em bandas canadenses no período que esteve em Toronto. Qual o balanço desse período?

Eduardo: Em Toronto, eu participei de dois projetos: Some died Young (indie+art rock+ ambient) e del Fuego (post rock). Independente de estilos o nível musical e profissional de lá é espetacular. As condições oferecidas são tão boas que você até assusta com tamanha organização.Aprendi muito e curti muito. Acima de tudo, viver 8 anos no Canadá foi uma experiência muito marcante, em todos os sentidos e que jamais esquecerei. Duas coisas definem bem aquele lugar: a riqueza multicultural e as possibilidades.

AP: E O que essa experiência agregou na sonoridade da A Sea of Leaves?

Eduardo: A sea of leaves é o resultado de tentativas e erros com as minhas bandas anteriores. (SW, SDY, del Fuego e Clube Osiris (Clube Osiris foi uma parceria com o músico Marcelo Garcia durante o ano de 2006, na qual gravamos 6 músicas cantadas em português, rock alternativo e 70's). Eu acredito que trouxe algo de lá comigo que é muito especial, mas sem explicação e que afeta diretamente a minha maneira de ver e fazer música. É algo que absorvi e manifesta-se naturalmente nas minhas composições. Eu vejo muitas possibilidades para 'A sea of leaves'.

AP:Bem, mudando de assunto: sabemos q você tem estreita relação com HQ´s, comente um pouco sobre isso. Esse contato com os quadrinhos influencia na composição?

Eduardo: Sempre fui apreciador do universo HQ. Em 1996 abri uma loja em Santos chamada Invasores, era especializada em quadrinhos nacionais e importados e souvenires. Não vingou. Durou apenas dois anos e fechou as portas como todo negócio em Santos que carece de gente que cultive um espaço por longa data. Foi uma boa experiência na época, mas eu tinha um grande projeto a ser cumprido e logo estaria zarpando para o Canadá.Quadrinhos influenciam meu trabalho na música? Sim, mas sem doses excessivas. O bem e o mal, céu e inferno, justiça... valore éticos ...conflitos e contrastes sociais... esses temas são muito abordados nos comics e posso dizer que são diretrizes pra minha vida. São temas que me inspiram...

AP:Recentemente foram feitas muitas adaptações para o cinema, o que acha disso?

Eduardo: Eu acho Classe A. Tem clichê de kilo? Tem... as vezes é infantil? É! Mas eu acho muito legal. Não perco nenhum que sai. Iron man vai ser supimpa. Nem sou muito fã da Marvel, mas o teaser com a música do Sabbath, matou a pau! Estou esperando ansiosamente o próximo Batman, no que falar Watchmen, putz! É filme que não acaba mais...Eu sei, eu sei... eu sou um nerd.

AP: Finalizando essa entrevista, nós já estamos no final do ano...o que vocês esperam para 2008? Podemos esperar um álbum “cheio” no próximo ano?

Eduardo: Bem, a banda vai dar uma parada em dezembro para as festas. Começaremos 2008 acertando as músicas novas. Temos umas cinco músicas novas em andamento. Se tudo der certo faremos nosso début aqui em Santos mesmo na Popscene de Santos(Hector Lima e Flavia Durante) final de fevereiro ou março. Queremos lançar um Ep até março contendo algumas das músicas novas e do set anterior que pode ser baixado na Trama Virtual, que serão regravadas. Álbum mais pra frente... queremos tocar bastante em 2008, aparecer, fazer contatos, conseguir um label... Vamos a todo vapor!

 

Informações:

A sea of leaves é:

Eduardo Pereira (voz e guitarra)
Daniel Fonseca (guitarra)
Flávio Girão (baixo)
Thiago Girão (bateria)

Ouça algumas músicas...

Visite o blog da banda

Contato: (13) 9108-0888

E-mail: aseaofleaves@gmail.com


Comentários

Flávio :
A Sea of Leaves e Labirinto são as melhores bandas do Brasil. Conheci as duas pelo myspace.
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