É com enorme
prazer que revelamos os vencedores do I Concurso de Poesia Esquina no AP. A
Comissão Julgadora foi composta pelos poetas, escritores e participantes da
equipe literária do site Beatriz Bajo (presidente do júri), Alexandre Landim,
Aline Aimée, Anderson Fonseca, Bruno Scuissiatto e Rodrigo Novaes de Almeida. A
organização ficou a cargo de Marcel Alan e Beatriz Bajo e os melhores poemas,
segundo critérios que iam de qualidade literária, originalidade, capacidade
criativa até riqueza da linguagem, receberam títulos de finalistas e
abrilhantarão a esquina mais lírica da virtualidade aqui na nossa emboscada
poética.
Foram cinco
poemas, que terão seu espaço para apreciação aqui no Armadilha Poética. Portanto,
fiquemos com o 4º lugar, poema escrito por Giselly Peregrino (pseudônimo Sophia
do Vale) intitulado Ondas Rubras.
Giselly Peregrino gosta de
Literatura desde antes de aprender a ler. Das histórias que ouvia, guardou
o lírio que perfumaria sua poesia, que começou a escrever aos 13 anos – e
não parou mais! Na UERJ e na UFF, estudou Letras; na PUC-Rio, faz mestrado
em Literatura Brasileira. Crê que o ser humano necessita de poesia para viver
de verdade. Por isso, não hesita em levá-la cada vez mais ao mundo. Professora
de Literatura no Ensino Médio, a poetisa troca e toca intimidades em suas
aulas, afinal, falar sobre poesia é exatamente isso.
Passa horas em sua biblioteca peregrinando
pelos longos caminhos do saber e, vez ou outra, vai ao Maracanã torcer pelo
Fluminense.
Mora com seus pais e sua irmã, sua primeira leitora. Sente saudades de sua avó, pássaro maior que o sol, que a ajudou
a voar e escrever poemas como Ondas rubras do livro “Praia Deserta”, ainda não publicado.
ondas rubras
Que barco invisível engendra tantas ondas?
Cortando, passa célere na pele aquosa,
que, dilacerada, espuma vermelho.
Sangra o mar.
Sua dor é ouvida na areia
em sussurros marítimos
suados e amargos.
Sangra o mar.

Imerso no mar imenso,
o corpo afunda-se
para ser.
Sangra o mar.
É, no mergulho,
a cor que lhe ferve
por dentro.
Sangra no mar.
E as ondas rubras carregam nos braços
à areia o corpo sem vida.
De quem será?