
Tim Burton já se consolidou como um dos mais geniais diretores
da história do cinema. E não por ser melhor do que os
outros, mas por fazer o que ninguém mais faz, da forma menos
óbvia possível. É claro que seu currículo
o precede, mas, ainda assim, ele consegue surpreender com alguma esquisitice
cativante, uma montagem totalmente não convencional e usando
temas que vão desde a sensibilidade social de Edward,
a melancolia nostálgica de Big Fish, até a
crueldade disfarçada de A fantástica fábrica
de Chocolates.
Agora, Tim Burton parece ter encontrado outra obra perfeita para
seu modus operandis: o conto de Lewis Carroll, Alice in Wonderland,
que, além de ser a obra mais conhecida de Carroll, é
considerada um clássico da literatura inglesa.
O texto, para os poucos que não conhecem, conta a história
de uma menina chamada Alice, que cai em uma toca de coelho e vai parar
em um lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas.
Toda essa história lisérgica de cogumelos, espelhos,
coelhos, naipes e rainhas de baralho, coube como uma luva no estilo
visual e único que Burton tem de fazer cinema. Ele declarou:
“Nunca vi uma versão de Alice em que eu sentisse que
toda a obra original foi traduzida na tela. É uma série
de aventuras esquisitas, e tentar fazê-las funcionar como filme
será interessante. As histórias [de Alice] são
como drogas para menores, sabe?". Pois é.
Tim Burton's Alice busca unir muitas técnicas diferentes para
fazer algo ainda mais novo. Ele mistura a captura de movimentos e
animação 3D, com bonecos e o stop-motion que fizeram
o sucesso de ‘A Noiva Cadáver’ e ainda usa o live
action.
O filme começou a ser rodado em maio de 2008 e tem data de
estréia prevista para 5 de março nos Estados Unidos
e em 23 de abril no Brasil. O elenco tem nomes como Johnny Depp no
papel de o Chapeleiro Maluco, Helena Bonham Carter como a Rainha Vermelha
e Anne Hathaway como a Rainha Branca. Além disso, tráz
a estreante Mia Wasikowska, como Alice. Vale dizer que o visual da
garota está longe da maluquice de Tim Burton e ainda mais distante
da infantilidade do desenho da Disney.
Com adaptação do roteiro feita por Linda Woolverton,
o filme será uma espécie de sequencia da história
original e se passa 10 anos após, mostrando Alice já
com 17 anos. Tudo começa com ela em em uma festa da nobreza
em Oxford, até que descobre que está prestes a ser pedida
em casamento. Desesperada, foge seguindo um coelho branco e vai parar
no País das Maravilhas, o local que visitou há dez anos
e não mais se lembrava.
A febre de Alice
Desde a notícia da produção do filme, uma febre
cultural envolvendo a obra ganhou força. A literatura trouxe
o lançamento de uma edição especial da obra de
Lewis Carroll pela Cosac Naify, contendo capa dura, ilustrações
do artista plástico Luiz Zerbini e tradução de
Nicolau Sevcenko. Ainda foi lançada uma edição
de luxo para colecionadores, que custa em média R$89 e vem
envolta por uma caixa no formato de uma carta de baralho.
Na televisão, foi lançada uma minissérie pelo
canal Syfy dos EUA, com um apelo mais urbano e histórias envolvendo
romance e traições. Foi lançada também
uma HQ desenhada pela brasileira Érica Awano, que adapta a
versão completa de Carroll em quatro capítulos, incluindo
‘Alice através do Espelho’, de 1871.
Além disso, já estão disponíveis para
compra em sites estrangeiros, os bonecos dos personagens principais:
a menina Alice e o Chapeleiro Maluco. Enquanto isso, a gente espera
toda a surpresa e inovação que são garantidas
nos filmes de Tim Burton.
Alice in Wonderland
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton
Elenco: Mia Wasikowska (Alice), Johnny Depp (Chapeleiro Maluco), Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha), Christopher Lee, Anne Hathaway (Rainha Branca), Alan Rickman (Lagarta).
Site do filme: http://adisney.go.com/disneypictures/aliceinwonderland/